Tuesday, February 09, 2010

pois...

cinetose. é um diagnóstico. meu médico não queria aceitar. mandou-me para neurologistas e otorrinos. fiz exames e testes. fui virada de ponta cabeça e o resultado era o mesmo: cinetose. o neurologista ainda disse: fique longe dos parques de diversão! nada de rodas gigantes ou montanhas russas... e era aí que eu queria chegar. sinto que ando, há algum tempo, num estado de vertigem constante. ora em cima, o vento no rosto, o cabelo a voar... ora em baixo, a sensação horrível de frio na barriga. a verdade é que nem paguei bilhete. e tenho medo de montanhas russas. além de sofrer, como disse, de cinetose. não sei até quando aguento estas subidas e descidas. esta vertigem. fico tonta. em todos os sentidos do termo: tonta, tonta. absurda e tonta. mal-disposta e tonta. ora em cima, ora em baixo. tenho de pensar, urgentemente, em descer!!! recomendações médicas! afinal, sofro de cinetose.

Monday, February 08, 2010

ai...

dia normal. filhote na escola. gatos alimentados. a me preparar para mais um dia de reuniões. toca o telefone. mãe, estamos em greve aqui na escola. posso ir almoçar ao mcdonald's com meus colegas? tens dinheiro? vou aí levar-te e falamos sobre isto. chego a escola e pergunto: quem vai? como vão? portas-te bem! e não é perigoso? não querem que eu vá levá-los? ai meu deus!! e pedrinho, muito calmo, responde: calma mãe. vai correr tudo bem! (claro que liguei mais 12 vezes a perguntar se não queria mesmo que fosse levá-los. e, como ele disse, correu tudo bem. o tempo passa tão rápido e é uma vertigem vê-lo crescer. por isso, a noite, quando vou deitá-lo, aperto-o muito contra meu peito e digo do meu amor incondicional. é só que o posso lhe oferecer. já que boleia, pelos vistos, não está mais nos seus planos).

Sunday, February 07, 2010

lição de tango

Tempo do corpo este tempo, da fome. Do de dentro. há um ano começamos a dançar. tango. tu, atrás da porta. eu entrei. e me levaste, de olhos fechados, a seguir teus passos. muito colada a ti. enquanto a roupa ia ficando pela casa. e nos amamos loucamente. com uma paixão que eu já nem conhecia. ora tu me conduzias, ora era eu a te levar. nos braços um do outro. nos braços instáveis um do outro. nos passos decididos, nos avanços e recuos. no tango parece que o homem conduz. parece apenas. ele não conduz. ele persegue. a mulher parece que foge. mas se aproxima. mais que uma dança é um prelúdio. prelúdio de um jogo selvagem e sem regras. movidos apenas pela paixão. e pelo desejo. e pelo corpo de um que chama o corpo do outro. e pelas mãos que se soltam e se agarram. pelos olhos que desafiam o outro ao mergulho. ele diz: vem. ela diz: vou. e a sala se faz pequena. e desejam o infinito. o instante que se prolonga num passo. que se prolonga... que se prolonga...

Friday, February 05, 2010

ouço... avec plaisir

Monday, February 01, 2010

uau!



sábado, passado na civilização, concerto fabuloso de corey harris, num ciclo de música comissariado pelo ruben de carvalho para a culturgest: CICLO HOOTENANNY. corey harris é um investigador de sons e ritmos da áfrica pelo mundo afora. do reagge a salsa, fixa-se, sobretudo, nas suas raízes - o blues. alto, vestido como se fosse tomar um café na esquina, com um turbante azul a cobrir as tranças rasta, entra no palco mansamente e toca da mesma maneira, manso. parece que está ali a pairar. e como toca! e como canta! uma voz poderosa, limpa. (pena que o som não estivesse lá grande coisa. havia microfonia). ao vê-lo no palco, lembrei-me do livro o zen e a arte do arco e flecha. ele e a guitarra eram um só instrumento. em perfeita harmonia. lindo de morrer!

Friday, January 29, 2010

impublicável

quase tudo que te escrevo é impublicável. o que digo, muitas vezes. o que me dizes também. não são textos compostos de palavras bonitas. daqueles que ficam muito bem num salão e sobre os quais se pode discutir a beber chá. porque há uma linha que divide o que se pode ou não dizer. há palavras que não devem aparecer assim, nuas, à luz do dia. há palavras que não devem ser ditas para além das paredes de uma casa. e as nossas cruzam oceanos. distâncias infinitas. os mares do sul. ou do norte. estás sempre a viajar. mas não nos perdemos, nem as palavras. impublicáveis. que trocamos a qualquer hora. 5h19min da manhã. ou 10h30min. mas, devo confessar, prefiro dizê-las ao teu ouvido. muito baixinho. tens de te aproximar bastante para ouvir. teu corpo colado ao meu. teu ouvido colado aos meus lábios. minhas mãos à volta do teu pescoço. tuas mãos... gosto de te ter a distância. mas nenhuma palavra, por mais impublicável que seja, substitui o calor da tua pele, o teu cheiro, o som da tua voz... as palavras apenas simulam a tua presença. mas nunca te substituem.

Wednesday, January 27, 2010

diálogos


mimi... assim começava o mail de uma amigo do outro lado do mundo. e eu: mimi? me acuerda algo de paris decadente... medio moulin rouge...ao que ele responde: la boheme post 11 de septiembre. bueno, pois sou uma mimi pós-moderna. isso é que dá ter amigos intelectuais. nem quis pensar muito no tema, a morte de mimi, os amores desfeitos, os ciúmes. as heroínas como mimi, naqueles tempos, acabavam todas mortas. se calhar, sobrevivo. ando a procura da versão da ópera que o baz luhrmann dirigiu.