
Porque eu quero encontrar com você em particular
Há tempos tento encontrar um bom momento
Alguma ocasião propícia
Pra que eu possa pegar sua mão, olhar nos olhos teus
Seria bom, quatro paredes, eu, você e Deus
Procuro explicar o meu sentimento
E só consigo encontrar
Palavras que não existem no dicionário
Você podia entender meu vocabulário
Decifrar meus sinais, seria bom
Composição: Marisa Monte, Arnaldo Antunes, Cézar Mendes
manuel bandeira inventou um verbo, teadorar. mas a sorte dele é que sua amada se chamava teodora. é difícil inventar palavras para tentar falar sobre o que sentimos. ou pensamos sentir. sim, porque muitas vezes queremos sentir e o desejo acaba convertendo-se em algo real. talvez eu pudesse me transformar num sinal, como no conto do calvino. um sinal em milhões de sinais e esta troca sígnica seria a única forma possível de comunicação entre nós. faróis de carro na autoestrada. pontos de luz a brilhar no céu, como um farol perdido na noite distante. o problema dos sinais, e dos neologismos, é que corre-se sempre o risco de não se fazer entender. de ficarmos com a comunicação truncada, a meio do caminho. não sei se são teus aqueles faróis que brilham em sentido contrário aos meus. que correm em minha direcção. não sei se aquele facho de luz que me guia na noite escura é teu. nem sei o que ele quer dizer. posso semantizá-lo conforme o meu desejo: quero que sejas tu. e que sejas tu a caminhares em minha direcção. mas isto sou eu. é um jogo que jogo sozinha. e não te convido para jogar porque não sei se queres decifrar-me e decifrar os teus sinais. e como não te chamas teodora nem posso roubar o neologismo do bandeira. posso inventar tantos outros. mas te aviso, nenhum deles é publicável. mas se queres, digo-os ao teu ouvido. neles encontrarás, por certo, mais do que sinais. bem queria te convidar para dançar. mas só danço contigo se for em particular.


